No processo de empreendedorismo, quase metade das Startups falha no erro mais recorrente de todos. Que erro é esse e o que podemos aprender com ele? Meu objetivo neste breve texto é apontar e explorar brevemente o maior erro cometido por empreendedores de Startups de primeira viagem, mostrando também o que considero ser uma grande lição a ser aprendida com esse erro.

No ambiente de inovação e empreendedorismo, perguntas básicas como:

  • meu produto/serviço vende? Existem pessoas realmente interessadas em adquirir?
  • a quantidade de pessoas interessadas e o preço previsto justificam a criação do negócio?
  • meu produto/serviço vende naquele local?
  • meu produto/serviço vende em determinada época do ano? Existe a sazonalidade?

…muitas vezes são relegadas a segundo plano por empreendedores de primeira viagem.

É sempre necessário tentar responder às perguntas básicas de necessidade de mercado antes de se pensar em criar um negócio. Essa pode parecer uma dica óbvia, mas tanto não é óbvia que não segui-la é a principal razão das Startups falharem.

Essa afirmação é corroborada pela pesquisa CB Insights de 2018 – “falha por falta de necessidade de mercado”: 42% dos empreendedores erram neste ponto crucial. Para evitar esse erro, é necessário que o empreendedor saiba escutar pessoas e aprender com elas; ou seja, deve escutar as dores, dificuldades e pontos de vista dos potenciais clientes.

É sempre necessário tentar responder às perguntas básicas de necessidade de mercado antes de se pensar em criar um negócio. Essa pode parecer uma dica óbvia, mas tanto não é óbvia que não segui-la é a principal razão das Startups falharem.

A primeira etapa de qualquer Startup se chama Validação, e implica na comprovação/refutação de hipóteses que se materializam em pesquisas quantitativas e qualitativas aplicadas ao público-alvo, além do uso de outras ferramentas específicas. Entretanto, esse é um processo que requer atenção e pode ser afetado por fatores externos, como a subjetividade das opiniões dos entrevistados.

A primeira etapa de qualquer Startup se chama Validação, e implica … em pesquisas quantitativas e qualitativas aplicadas ao público-alvo, além do uso de outras ferramentas específicas.

Na prática, Validar não é uma tarefa simples, é muitas vezes um processo iterativo bastante intenso, mas vale a pena dedicar muita energia nessa fase, pois é a mais crítica do processo. Em eventos do Startup Weekend, costumo fazer parte da equipe de Mentores que ajuda os participantes a realizarem exercícios de Validação, conforme fotografia a seguir.

Evento Startup Weekend Indaiatuba/SP - Abr/2019. Fotografia: Eddie Felix
Evento Startup Weekend Indaiatuba/SP – Abr/2019. Fotografia: Eddie Felix

Para além das consideráveis dificuldades técnicas do processo de Validação, que não são o foco desse texto, gostaria de chamar especial atenção para alguns aspectos comportamentais. Esses aspectos constituem a primeira grande lição da jornada de uma Startup: a Humildade, pois o empreendedor deve servir à uma necessidade ou dor alheia, de outra pessoa, e não dele mesmo.

…a primeira grande lição da jornada de uma Startup: a Humildade, pois o empreendedor deve servir à uma necessidade ou dor alheia, de outra pessoa, e não dele mesmo.

Já vi vários empreendedores acreditarem muito em suas ideias, o que é essencial, porém acabaram deixando essa crença cegá-los a ponto de não fazerem verificações sistemáticas antes do lançamento de um novo produto ou serviço.

Vulgarmente, no ecossistema empreendedor, chamamos a isso de “apego” ou “paixão” pela ideia. Essa forte ligação emocional na fase de Validação, somada ao desconhecimento das ferramentas e estratégias que deveriam ser aplicadas a essa etapa, é o que provoca a imensa onda de fracassos de Startups.

Não Validar a real necessidade de mercado é comprovadamente o maior erro cometido por empreendedores de Startups de primeira viagem, tanto que o Ecossistema brasileiro de Startups foca bastante em tentar resolver este ponto.

Pretendo explorar, num artigo futuro, possíveis causas da “paixão” ou “apego” à ideia.

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