O Vibe Coding vai acabar com os programadores? A realidade é bem diferente do hype

- Produzido por Joaquim Fantin. Revisado por Adriana Roma.

Com as ferramentas de IA generativa, a criação de um aplicativo sem o domínio da programação ficou muito mais acessível. O Vibe Coding conquistou espaço nesse contexto. Qualquer pessoa consegue transformar uma ideia em um aplicativo funcional apenas conversando com uma Inteligência Artificial. Essa facilidade ajuda a colocar projetos em prática rapidamente. O problema aparece quando um sistema criado dessa forma avança sem uma revisão técnica do que foi gerado.

A grande diferença entre um leigo ‘programando pela vibe’ e um desenvolvedor experiente usando a IA como apoio está na capacidade de avaliar o que a ferramenta produziu. É justamente aí que a experiência técnica faz diferença. Um sistema pode parecer funcionar para o usuário e, ainda assim, ter problemas na arquitetura, na segurança ou na lógica do código. Cabe ao desenvolvedor revisar o que foi gerado pela IA, identificar falhas e avaliar se aquela solução consegue evoluir com segurança.

A falta dessa revisão técnica gera problemas concretos. Já existem casos reais e documentados de sistemas inteiros criados via Vibe Coding que vazaram milhões de dados privados, simplesmente porque a IA deixou portas de segurança abertas ou bancos de dados sem autenticação.

Um estudo da empresa de cibersegurança Red Access dá uma dimensão desse problema. Entre mais de 380 mil sites e recursos disponíveis publicamente na internet analisados pela empresa, cerca de 5 mil pareciam ter sido criados para uso corporativo, como sistemas internos, painéis de acompanhamento e ferramentas de trabalho.

Em aproximadamente 2 mil deles, o equivalente a 40%, havia informações sensíveis de empresas ou de pessoas sem proteções básicas de segurança. E o mais preocupante: não era necessário invadir os sistemas para chegar a esses dados. Eles estavam acessíveis pela internet.

O problema aqui não está no funcionamento do código. Ele pode funcionar muito bem no chamado ‘caminho feliz’, quando tudo ocorre conforme o previsto, mas apresentar falhas diante de erros, situações inesperadas ou tentativas de acesso indevido.

O Vibe Coding tem aplicações bastante úteis, especialmente na prototipagem, na validação de ideias e nos testes iniciais. A exigência muda quando o projeto passa a lidar com dados de clientes, pagamentos ou operações críticas. A presença de um especialista que saiba ler, auditar e corrigir o código continua indispensável.

O avanço dessas ferramentas muda o trabalho do desenvolvedor e valoriza o conhecimento técnico. Quanto mais código puder ser produzido automaticamente, mais importante será avaliar o que foi gerado, identificar riscos e decidir o que realmente pode chegar a um ambiente de produção.

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